Programa de Educação Tutorial
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A Escola de Arquitetura UFMG nos seus primeiros
anos
Texto de Celina Borges Lemos
Imagens do Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos.

A Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais, nasceu do interesse de um grupo de intelectuais que desejavam criar uma instituição de ensino superior que formasse profissionais na área das artes. O primeiro encontro desse grupo, registrado em ata, ocorreu no dia 29 de julho de 1930 no Salão Nobre da Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária de Belo Horizonte com o objetivo de fundar um curso superior em Arquitetura na capital mineira. Estavam presentes nesse momento histórico os senhores: Affonso Barbosa Mello, Alberto Pires Amarante, Aníbal Pinto de Mattos, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Sobrinho, Dario Renault Coelho, Gil Moraes de Lemos, João Kubitschek de Figueiredo, José Renault Coelho, Leon Francisco Rodrigues Clerot, Luiz Signorelli, Martim Francisco Ribeiro de Andrada, Octaviano Lapertosa, Octávio Penna, Paulo Costa, Antônio Carlos Sobrinho, Paulo Krüger Corrêa Mourão, Pedro Laborne Tavares, Saul Macedo e Simão Woods de Lacerda. Nessa reunião, decidiu-se pela fundação de Escola de Belas Artes e, vinculada a ela, a criação Escola de Arquitetura. A comissão também deliberou sobre a organização desses cursos, e nela constavam os engenheiros Luiz Signorelli, Leon Clerot, Alberto Pires Amarante, e os professores Aníbal Mattos e Martim Francisco Ribeiro de Andrada. (Escola de Arquitetura da UFMG: 60 anos formando arquiteto, 1990).
Na reunião do dia cinco de agosto do mesmo ano, o professor Aníbal Mattos argumentou que Belo Horizonte se situava num contexto de significativo crescimento, e demandava profissionais especializados. Por isso, considerou de grande importância a formação de profissionais de arquitetura e planejamento urbano. A proposta foi então aprovada e marcou a fundação da primeira Escola de Arquitetura independente do país, não vinculada a uma Escola de Belas Artes, nem a uma Politécnica, representantes dos modelos acadêmicos vigentes até então. (ESCOLA de Arquitetura UFMG: 1930 – 1970..., 1970)
A autonomia caracteriza o espírito de seus fundadores que buscavam uma instituição corporificada pelos ares modernos do período e desprendida de antigos modelos. Após tomada essa importante resolução, os períodos e a duração do curso foram definidos a diretoria da nova escola e a organização do curso. Esta composta pelo arquiteto Martim Francisco Ribeiro de Andrada, como o primeiro diretor, e pelo senhor Alberto Pires Amarante, como vice-diretor. A princípio, o curso se estruturava em seis anos com um currículo formado por 31 (trinta e uma) disciplinas.
A aula inaugural da nova Escola, proferida pelo professor Aníbal Mattos no dia dois de maio de 1931, abordou questões relacionadas à arquitetura e suas origens, além de voltar a sua atenção para os desafios daquele presente. Essa crença era tão forte que nos seus primeiros anos a Escola contava especialmente com a disponibilidade e iniciativa dos professores que, além de ministrarem as aulas, se tornaram os principais responsáveis pelas despesas com material didático, salários de auxiliares e aluguel dos diversos espaços onde a Escola funcionou (FIGUEIREDO, 1946, p.01).
Em 1932 os Estatutos da Escola de Arquitetura são inscritos no Registro Especial de Títulos e Documentos, o que lhe confere personalidade jurídica. Logo em seguida, seus estudantes se organizam e fundam o Diretório Acadêmico da Escola de Arquitetura, em 1933, formado pelos membros da diretoria: Shakespeare Gomes (presidente), Virgílio de Castro (vice-presidente), João Jorge Coury (1o secretário), Fildo Scarpelli (2o secretário), Juscelino Ribeiro (tesoureiro) e Raphael Hardy Filho (bibliotecário). Essa organização dos estudantes, desde o início, destacava-se pelo seu engajamento e atuação em busca do reconhecimento da Escola e obteve significativa participação dos discentes e docentes em importantes conquistas.
Maquete do primeiro bloco da Escola
Em uma versão do projeto, não existia o
auditório, que possui pé-direito duplo, assim, a maquete só possui um andar acima do hall.
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A primeira se vincula ao decreto estadual no 11.228, assinado pelo governador Benedicto Valladares Ribeiro, no dia 16 de fevereiro de 1934, no qual a Escola de Arquitetura veio a ser reconhecida como de utilidade pública. Este fato permitia o registro dos diplomas nas repartições estaduais dos seus formandos. Logo depois, em 1940, quando já vigente um novo currículo, o Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia de Minas Gerais (CREA-MG), sob a presidência de João Kubitschek de Figueiredo, que assume novamente o cargo em 1943, inicia a concessão das carteiras profissionais aos graduados egressos da Escola de Arquitetura. Esta concessão permitiu a atuação legalizada do recém-formados dentro de Minas Gerais.
Nesse mesmo ano de 1940, professores, alunos e funcionários foram surpreendidos com a notícia do propósito de fechamento da instituição pelo Governo Federal, o qual ainda não a reconhecia depois de dez anos da sua fundação. Diante dessa forte ameaça, o então diretor Aníbal Mattos embarcou para o Rio de Janeiro acompanhado de funcionários e estudantes com o intuito de defender a manutenção da Escola. Estes contaram com intervenção do então Ministro da Educação, Gustavo Capanema, para que Aníbal Mattos e seus acompanhantes conseguissem um encontro com o presidente Getúlio Vargas. Durante a cerimônia o diretor proferiu o discurso preparado para o momento, em que descreveu as dificuldades a abertura e a trajetória de dez anos do curso, marcada por dificuldades financeiras e administrativas que caracterizou, bem como a sua importância dentro do contexto de Minas e de todo o país.

Após ouvir as palavras do diretor, Getúlio Vargas respondeu textualmente: “Professor, volte tranquilo para Minas, pois enquanto eu for presidente, a Escola de Arquitetura não será fechada.” (Faria, 1990, p. 01). Assim, a Escola pôde continuar as suas atividades de formação de profissionais de arquitetura que ganhavam cada vez mais prestígio, tanto dentro de Minas,como em outros estados. Contudo, as dificuldades relacionadas aos custos financeiros ainda persistiam até o ano de 1944, quando o então prefeito Juscelino Kubitschek, primo do diretor contemporâneo João Kubitschek, cria o Instituto de Belas-Artes e incorpora a ele a Escola de Arquitetura. (Lemos; Dangelo; Carsalade, 2010)
Tal atitude garantia a autonomia didática da Escola, característica importante desde a sua fundação, e estabelece que a partir desse momento a Prefeitura Municipal se responsabilizaria pelos gastos e encargos financeiros da instituição. Esse importante passo auxiliou também na busca de reconhecimento pelo Governo Federal, o que se deu em dezembro do mesmo ano através da assinatura do decreto no 17.399, pelo presidente Getúlio Vargas e pelo Ministro da Educação Gustavo Capanema. A partir de então, os diplomas emitidos pela Escola conquistaram a validade em todo o país.
Nos primeiros anos da década de 1940, a arquitetura modernista começa a ganhar espaço na cidade e no país e, da mesma forma, os arquitetos conquistam gradualmente maior reconhecimento profissional. A inauguração das obras do “Complexo Arquitetônico e Paisagístico da Pampulha em Belo Horizonte” muito contribuiu para esta nova situação. Neste período, a Escola se desincorporou do Instituto de Belas-Artes em junho de 1946, fato sucedido pela sua vinculação à Universidade de Minas Gerais no mês de agosto do mesmo ano, decisão aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário. (Lemos; Dangelo; Carsalade, 2010)
No caso da Escola de Arquitetura, sua trajetória, desafios e conquistas, foram determinantes para sua vinculação à Universidade, a qual reconheceu os esforços empreendidos até então, além da valorização do seu legado. Neste contexto, a
instituição considerou que a Escola muito teria a contribuir em termos acadêmicos, bem como na formação do espírito universitário.
Da mesma forma, os membros da Escola também pensavam da Escola, pois, na medida em que a instituição já havia obtido o reconhecimento nacional, seu principal objetivo ao se incorporar à Universidade seria a aproximação e o convívio com as demais faculdades, que compunham este centro de ensino superior. Pouco tempo depois, a Universidade de Minas Gerais se federalizou de acordo com a Lei no 971 de 16 de dezembro de 1949, e a partir desse status várias importantes conquistas se sucederam na Escola de Arquitetura. Entre elas, houve a consolidação do curso e o registro progressivo do aumento significativo do número de seus alunos.
CELINA BORGES LEMOS
Doutora em Ciências Sociais pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, professora titular da UFMG e ex-tutora do PET-Arquitetura
celinaborg@gmail.com
Belo Horizonte, MG
COMO CITAR
Escreve aqui como fica a citação desse texto conforme a ABNT
CONSELHO EDITORIAL
Essa edição da Revista PARAHYBA foi produzida por Ana Beatriz Irias, Ana Clara Mucci, Andressa Vaz, Andreza Petrillo, Anna Gabriele Duarte, Arthur Sá, Bernnardo Nunes, Gabriela Diana, Hélio Gomes, Laura Campos, Layla do Vale, Marina Metzker, Marco Antônio Mota, Mateus Peranovich e Mateus Rosada.
